Os eleitores da Geórgia encerraram 30 anos de domínio republicano na Comissão de Serviços Públicos do estado, elegendo os democratas Peter Hubbard e Sheila Edwards e dando ao partido o controle do órgão regulador de cinco membros pela primeira vez em três décadas.

A comissão supervisiona os serviços públicos, incluindo a Georgia Power, e toma decisões sobre tarifas, confiabilidade do serviço, planos de recursos e grandes investimentos em infraestrutura. A eleição ocorreu em um contexto de insatisfação com as contas de luz mais altas, o desenvolvimento de centros de dados e as exigências por maior fiscalização da Georgia Power.

Hubbard, que venceu uma eleição especial no ano passado, derrotou o ex-comissário republicano Fitz Johnson por 12,8 pontos percentuais. Edwards, ativista comunitária e empresária, venceu o candidato estreante Josh Tolbert por 10,6 pontos. A reeleição de Hubbard lhe garante um mandato até 2032.

Os dois democratas fizeram campanha com foco nos custos para os consumidores e na prestação de contas. Em uma publicação nas redes sociais, Hubbard afirmou que ele e Edwards trabalhariam por uma política energética que colocasse os georgianos em primeiro lugar. Edwards disse que buscaria reduzir as contas de serviços públicos, garantir transparência na comissão e aumentar a contribuição dos grandes centros de dados para os custos que geram.

Os republicanos ocuparam as cinco cadeiras de 2006 a 2025, quando Hubbard e a também democrata Alicia Johnson conquistaram assentos na comissão. Durante os anos de controle republicano, os clientes da Georgia Power enfrentaram várias rodadas de aumentos tarifários. Desde 2023, seis aumentos adicionais elevaram as contas mensais em cerca de US$ 44, segundo o relatório-fonte.

Os custos associados à expansão da usina Plant Vogtle, uma instalação nuclear no condado de Burke, motivaram muitos dos aumentos. A construção começou em 2009 e, inicialmente, deveria ser concluída em 2017, mas os atrasos estenderam o projeto para 15 anos e fizeram com que ultrapassasse o orçamento em mais de US$ 17 bilhões. Os clientes também estão pagando pela construção de usinas a gás destinadas a fornecer eletricidade aos centros de dados.

Os candidatos democratas venceram apesar de terem recebido menos recursos. Os candidatos republicanos e grupos externos arrecadaram, juntos, mais de US$ 1 milhão, em comparação com menos de US$ 600 mil para os democratas. Os gastos externos nas disputas ultrapassaram US$ 5 milhões, incluindo mais de US$ 3 milhões para apoiar Tolbert e cerca de US$ 1,5 milhão, por meio da Georgia Conservation Voters, para apoiar Hubbard e Edwards.

A nova maioria terá a oportunidade de agir em relação às promessas de campanha de examinar minuciosamente os custos da Georgia Power e reforçar a proteção aos consumidores. Hubbard e Johnson já haviam se oposto a uma expansão proposta de US$ 16 bilhões da rede elétrica, predominantemente baseada em gás natural, aprovada pela comissão por 3 votos a 2. Hubbard também ajudou a motivar uma investigação sobre se os centros de dados e outros grandes clientes estão pagando sua parte dos custos de combustível.

Edwards fez campanha pela redução dos custos de energia, por um exame mais rigoroso das despesas dos centros de dados e por maior transparência da Georgia Power. Essas prioridades estão alinhadas com a agenda que Hubbard e Johnson vêm defendendo na comissão. Grupos comunitários envolvidos nas campanhas afirmaram que pretendem acompanhar o trabalho dos comissários e pressionar por novas medidas voltadas aos consumidores, incluindo propostas na legislatura estadual.

Fontes: Inside Climate News.